O que banheiro masculino e as editoras tem em comum?
Vinte e poucos anos

O que banheiro masculino e as editoras tem em comum?

fevereiro 19, 2016


Nada mais saudável do que começar um post WTF? com um som WTF? Go!

Essa vida cheia de altos e baixos cansa, não? Dizem que as coisas difíceis vem para darmos valor às conquistas, vitórias etc… Na real, acho isso papo furado. O ano começou bem, não esperava que 2016 fosse chegar dessa maneira, faculdade fluindo, curso de Libras rolante, claro, poderia estar melhor, but… Fevereiro está sendo hardcore, não vou entrar em detalhes, tu não merece ouvir lamentações e reclamações. O fato é que tive e estou tento dias bem frustrantes, estressantes e reflexivos. Como sou mestre em ocultar quase tudo, óbvio que ninguém percebe, mas ando com a mente e alma mais nas nuvens do que aqui, dentro desse corpo desprezível.

tumblr_o2kft69tmK1tisbl1o9_250Estranhamente, enquanto eu estava parado no terminal lendo “Hell’s Kitchen” de Jeffery Deaver, histórias começaram a brotar na minha mente, até mesmo a continuação do “Os Herdeiros da Terra de Mour“, sério. Mas logo me ocorreu que ainda estou com um contrato ativo com a editora, e enquanto isso não acabar, não posso dar continuidade a história… O motivo? Bom, aí entramos na primeira parte dessa reflexão sobre a relação entre banheiro masculino e editoras.

Vivemos, claramente, em um mundo manipulador. Tudo bem, okay. Mas o mercado editorial nacional, mesmo sendo um puta de um lixo, consegue nos iludir de tal maneira que chega a ser ridículo quando tu vê de fora. Vou ser mais claro; o mercado nos faz pensar que, para ser um autor de verdade, é preciso ser publicado por uma editora, que assim seu livro vai ser visto, lido em todo o país, estar nas melhores livrarias, e meu… Conheço muitos autores que investem 6, 7, até 10 mil dinheiros nas editoras com uma copublicação (quando a editora banca parte da publicação e o autor outra parte), mas não saem do lugar. Acontece que as editoras só querem o nosso dinheiro, querem que sigamos suas regras para que elas possam ter produto no mercado com um puta lucro – se tu não sabe, o autor fica com no máximo 15% da venda, NO MÁXIMO E RARAMENTE, normalmente 10%.

Então pensa, para cada livro vendido a 40 dinheiros, 4 dinheiros é do autor, 10 dinheiros é custo de produção, 10 dinheiros é do ponto de venda e 16 fucking dinheiros é da editora.

Outro ponto, quando tu é publicado, a pica engrossa na sua mão, pois mesmo tendo o selo editorial, a promoção do seu livro, o suor e sangue para que ele seja notado, é SUA responsabilidade. Não, não falo apenas por experiência própria, mas também pelo que já vi muitos profissionais passando. Comigo, pff, alguns conhecem “O Extraordinário Mundo de Greta“, para quem não conhece esse é um livro que publiquei independente há anos etc, e ele ainda vende, CARALHO! Se eu jogar na net que tenho 10 exemplares pra venda, eles vão ser comprados, por amigos, amigos de amigos, e até desconhecido… Recebi uma puta carta de Pernambuco esses dias de uma leitora – MANO! FAZ MAIS DE 1 ANO QUE NÃO VENDO ESSE LIVRO E COMO ELE FOI PARAR EM PERNAMBUCO? -, enquanto isso, o título que publiquei pela editora está juntando pó nas livrarias, mal e mal ouço falar dele nos canais da própria editora… E foi um puta dinheiro investido, mais de 6 mil reais – piooooooor, foi uma amiga que fez, tipo, acreditou em mim, fiquei com uma puta dívida vitalícia com ela, sabe, brotherhood mesmo! -, e mano, eu me empenhei no início, mas com o tempo me senti abandonado e tal. Então toquei o foda-se. Não vou desistir da história, vou fazer ela vingar, mas ao meu modo.

tumblr_nxg04tUBPq1ue255so1_500

De qualquer maneira, sempre penso “caralho, 6 mil dinheiros, se eu tivesse feito a publicação sozinho, poderia investir pelo menos 4 mil disso em publicidade…“, conseguem imaginar o que é 4 mil em publicidade? Bem direcionada, PORRA IA VENDER MUITO! Mas tudo bem, é viver para aprender – LEITOR(A) AMOR DA MINHA VIDA, SE TU QUER PUBLICAR UM LIVRO, FUJA DAS EDITORAS, pra falar bem a real, invista em si mesmo! Eu trabalho com design e uma galera irada que presta serviço de diagramação também, um projeto gráfico não sai mais de 2 mil dinheiros, é baba – LeHype <34ever -, e ainda dá pra investir uma grana irada na publicidade, fazer altos contatos e conversar com parceiros pra descolar um evento em algum lugar. Ser independente hoje, artista, é difícil, mas há tantas ferramentas que o óbvio e tradicional IRÁ MORRER SIM. Os dias das editoras estão tão contados quanto das agências tradicionais de publicidade.

Eu entrei numa reflexão bizarra sobre isso, a maneira como coisas simples como essa “necessidade” entra na nossa mente, e sim… Veio tudo naquele momento ainda, enquanto eu esperava o busão e lia o livro. Foi então que levantei e fui ao banheiro – pfv, evitem banheiro público, usem apenas em último caso e seja o mais cuidadosos possível e respeitosos tb -, e então me dei conta de que sempre que vou ao banheiro por aí, eu entro na porta à direita – WTF?

tumblr_n13g693zbz1s4jjovo1_500

Booooom! Sexismo, capitalismo, um monte de ismos, até cristianismo me passou pela mente, e aí entrei em outra reflexão idiota – tipo quando tu para pra pensar o porque a palavra “pare” que tu leu na placa, significa “parar” de anular qualquer movimento -, porque diabos o banheiro masculino é sempre do lado direito? Será que no Oriente também é assim? É devido aos princípios das estruturações dos acordos na construção social terem sido galgadas pelo homem? Tipo, por motivos de sexo mesmo? Ou foi algo que aconteceu uma vez e simplesmente tornou-se um padrão? Será que é pela ideia do braço direito? Mais força e tal? Mas aí onde entram os canhotos?

CARALHO eu meu cérebro derreteu com essa idiotice.

tumblr_nmnq5mOYpv1qkdurro1_500

Mas ainda assim, eu penso sobre, principalmente quando vou no banheiro. Não cheguei em nenhuma conclusão definitiva, mas fiquei dividido entre duas possibilidades, a primeira é o sexismo, por ter sido um feito do homem a determinação dessa ordem – tenho até que conversar com meu professor de história da arte (nóix Monstrão lol ~~ ele vai entender) pra discutir sobre como eram sás porra nos tempos antigos, e a segunda é simplesmente o fato de que isso se tornou um padrão inconsciente que foi acontecendo.

Sério, se tiver uma explicação histórica pra isso eu vou ficar muito de cara rs.

Então, finalmente, o que banheiro masculino e as editoras tem em comum? Nada, eu acho.

tumblr_ne66ccUy9E1tl7cg5o1_500

Mas devo dar parabéns ao autores independentes por lutarem todos os dias e se desprenderem das garras dessas editoras sanguessugas e ainda assim conseguirem fazer acontecer, e parabéns para as pessoas que perdem tempo refletindo sobre coisas que quase ninguém dá atenção por não ter a menor importância rs.

 

Só pra finalizar:
Site no ar com projetinhos de arte <3 vem – albqrq.com/portfolio
Loja no ar com algumas pinturas e logo tem mais – loja.albqrq.com
Meus projetos p/ tattoo estão aqui, quer tatuar, vem <3 – albqrq.com/projetos-tatuagem
Yeeeey os Recortes – posts que li, amei, e vou compartilhar – e as artes da semana serão enviados via Tinyletter, assine <3 – tinyletter.com/albqrq

Isso aí, bjos no <3

You Might Also Like

8 Comments

  • Reply Maria fevereiro 20, 2016 at 1:44 am

    Às vezes penso que as editoras mesmo só servem pra trazer livros de fora traduzidos, porque publicar livros nossos mesmo é um trampo desgraçado, muitas vezes nem deve valer a pena. Maldita burocracia.

    Já os banheiros… Mania de geminiano tentar enteder tudo, não é mesmo? (não adianta, eu sempre vou achar uma desculpa pra citar teu signo e desprezá-lo, bjs) Mas é uma questão interessante mesmo, só que eu nunca tinha reparado, huahuahahu.

    Acho que o que as editoras e os banheiros masculinos tem em comum é que as pessoas utilizam deles porque é o que está institucionalizado/mais fácil. Qualquer escritor pode publicar sua obra independentemente, mas às vezes pode ser mais difícil, porque o normal é fazer isso através de uma editora, e é mais legal ter o logo da editora ali do ladinho. Assim como qualquer homem pode simplesmente ir mijar ali na árvore ao invés de usar o banheiro mas, além de não correr o risco de ser pego por algum guarda/fiscal, no banheiro o cara também tem o papel higiênico e pode lavar as mãos.

    Beijinhos.
    P.S.: Tua tinyletter é a primeira que eu me inscrevo (boicotei todas as outras, hihi), espero que valha a pena.

    • Reply ALBQRQ fevereiro 20, 2016 at 9:42 pm

      Hehhuehuehuehuehueueh Mry *.* Pode citar signos, tudo bem.

      Meu, que reflexão 😮 But acho que tu está certa sim, ou também, eu acho, enfim rs
      A burocracia é foda sim, mas é como tu disse, a logo do ladinho, é tipo etiqueta da nike num pano de chão, tipo é um pano de chão, mas é da nike –‘

      E eu logo farei e enviarei, farei todo dia 1 <3 E pare, vai ser legal!

      Obrigado pela visita moça <3 Ultimamente ando me identificando muito com seu blog, nos falamos e lamentamos juntos no tt depois <3 rs
      xoxoxo

  • Reply Thay fevereiro 25, 2016 at 5:02 pm

    Já havia lido em algum lugar sobre essa história das editoras partilharem os lucros de um jeito pouco interessante para os autores. Como você bem explicou, parece que vale mesmo mais a pena investir por conta própria na produção e distribuição dos livros. Vai dar muito mais trabalho, mas me parece que a satisfação que vem depois do trabalho duro é ainda maior! Imagina só, receber uma carta de um leitor de Pernambuco! Deve ser um desses momentos pra ficar marcado na memória.
    Um beijo!

    • Reply ALBQRQ março 27, 2016 at 5:19 am

      Oi Thay.

      Essas histórias são reais, mas poucos sabem como é passar por isso de fato… Faço minha parte compartilhando.

      E sobre a carta, FOI LOUCO <3 rs Marcou sim.

      xoxo

  • Reply Adeisa Emanuelle fevereiro 29, 2016 at 7:04 pm

    Cara, rachei de rir aqui kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Sério, te quero como amigo! Tu deve ser mó comédia kkkkkkkk
    E, cara, é isso aí mesmo: vivendo e aprendendo. Infelizmente a gente tem que quebrar a cara mesmo pra descobrir nossas qualidades e criatividades que nem sabíamos que tínhamos. O que vale é não se deixar abater, é continuar na luta. Não entendo m*rda nenhuma sobre parcerias de autores com editoras, mas tipo, deu pra sacar que tu na numa emboscada. E, logo, vai dar a volta por cima. Boa sorte!

    • Reply ALBQRQ março 27, 2016 at 5:22 am

      Comédia? Não sou, a vida que me trolla mesmo QDHUQWHDHQWDUHIUQWHDUI

      E não vou desistir né, ao menos me fodi mas aprendi uma valiosa lição rs 😀 Acho que é isso que vale, não? 😀

      xoxo

  • Reply Gaby Soncini março 22, 2016 at 10:26 pm

    Realmente, o que acontece é muito injusto e uma vergonha no nosso mercado editorial. Bom, eu sonho em escrever livros para as crianças, e quando entro no site de uma editora que publica livros infantis, o que sinto? Uma grande decepção, pois a maioria são traduções, fico me perguntando, cadê o investimento em autores daqui? E sinto que há um grande investimento lá fora em literatura infantil, e aqui, poucos conseguem mesmo algo, muitas vezes começam por algum incentivo, algum concurso literário, mas tudo é muito difícil. Eu participo de vários concursos literários na esperança de assim ser um primeiro caminho para uma publicação, de fato já pensei muito em uma produção independente, e foi bom ler seu post para ter mais coragem.

    Abraços!

    • Reply ALBQRQ março 27, 2016 at 5:26 am

      Oi Gaby. Infelizmente é nossa realidade, buttttt, felizmente há outros meios sempre. Eu acredito que o mercado editorial ainda irá ruim, o que o mantém de pé são apenas algumas ações, mas a maioria já está caindo na mesmice.

      E tenha coragem sim! Se precisar de alguma ajuda, estou aqui, ok? Faço o possível.
      Fique bem 😀

    Leave a Reply

    Translate »