Existo, mas não vivo mais - Um Gole de Utopia
Devaneios

Existo, mas não vivo mais

maio 10, 2016

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Não me sinto assim há muito tempo.

Talvez mais tempo do que eu posso realmente me recordar.

Há um buraco aqui dentro, um buraco maligno que suga tudo o que há de bom ao seu redor. Um buraco que cresce sem parar, e por mais que eu jogue uma infinidades de coisas relevantes e irrelevantes dentro dele, ele não desiste.

Há um buraco aqui dentro, que consome minhas forças, e me joga em momentos como esse, onde nada mais faz sentido, pois não sei o que faço, e nem mesmo o por que faço o que faço.

Não me sinto assim há muito tempo.

Feio, cansado, desesperado, solitário… E talvez a solidão seja a pior parte.

Me pego observando o mundo a todo momento, em um conflito inquietante enquanto minhas mente remói uma quantidade infinita de pensamentos, e desse mundo invejo a ignorância.

A culpa não é sua, a culpa não é deles, não há culpa, não há quem culpar, pois só há um buraco aqui.

Não, não vou morrer outra vez. Mas não posso mentir que o calor da morte seria um abraço aconchegante, e talvez aquelas palavras que eu tanto espero de qualquer um: “vai ficar tudo bem”, possa vir dela, não?

Ah. E todas essas máscaras… Pesam tanto sobre minha face que mal consigo continuar caminhando com todas elas. Eu gostaria de ser verdadeiro, sim, gostaria, e talvez eu tenha sido verdade contigo, mas para ser sincero, não sei mais qual é a verdade.

Não me sinto assim há muito tempo.

E talvez agora seja a hora de recuar. Talvez não. Mas estou cansado de lutar, cansado de ver tantas dúvidas, tantas dores, e o tempo voar de nossas mãos se sequer nos darmos conta das coisas boas que poderíamos estar vivendo… Se houverem coisas boas para se viver.

Acho que o amor se tornou veneno afinal, e em segredo, eu tomei o frasco todo.

Não. Essa não é uma carta para ti, nem para eles, nem para ninguém, mas apenas um lembrete para mim mesmo.

Estou cansado disso e daquilo, empurrando meus olhos cada vez mais forte e fundo para ver se tudo apaga de uma vez, mas sei que o que preciso é de uma solução permanente, e tal solução está sobre a mesa, e seu sorriso brilha ao me encarar, junto aos seus três cartuchos espalhados em meio a bagunça caótica que se tornou minha vida.

Vida.

Estou cansado de esperar, cansado de temer, cansado de ter esperanças, cansado de tentar acreditar, cansado de falhar, cansado disso e daquilo.

Fraqueza? Sinta-se a vontade para ocupar meu lugar. Estou saindo de cena, e há espaço para ti.

Boa sorte nesse circo de horrores; vou apenas me deitar para dormir, e não acordar mais.

Apenas existo, mas não vivo mais.

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1 Comment

  • Reply Adeisa Emanuelle maio 14, 2016 at 9:59 pm

    Me abraça, apenas.
    E deixa minha solidão prestar solidariedade a tua.

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