O Nômade .II - Um Gole de Utopia
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O Nômade .II

outubro 5, 2016

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O Nômade
Parte II

Ela estava parada em meio a multidão de soldados. Almas cansadas de lutar, ansiosos pela morte, por uma saída. Todos os olhares a fitavam, enquanto ela permanecia imóvel, tímida, assustada, e sem ter a menor ideia do seu valor para cada uma das vidas que ali estavam presentes.

A noite se aproxima. Não temos tempo a perder!” Gritei após sentir um calafrio correr sobre minha espinha. Um mal pressentimento. Talvez, mas foda-se, eu a encontrei, e finalmente poderíamos, agora, ter uma chance de vencer essa guerra. Por incontáveis noites sonhei com o resultado de todo o caminho percorrido, soluçando após incontáveis lamentações por desacreditar no que me foi contado, acreditando não passar de uma história.

Homens e mulheres, vestindo longos casacos, botas, alguns coletes, carregando armas de fogo e lâminas, correram para os carros, apressados às ordens de seu líder. Uma das mulheres se aproximou da menina com um sorriso acolhedor e a abraçou. Por um minuto, congelei, sem reação para tamanha cena de afeto… Algo raro e já esquecido.

Me aproximei lentamente, a mulher se afastou da menina, e próximo a mim, disse: “Valentina“.

Agachei em frente a frágil jovem, agora enrolada em uma blusa grossa e quente. Ela me encarou, como se tentasse decifrar o que havia por trás dos meus olhos, os meus pensamentos. Senti ela mergulhar no mais profundo abismo das minhas lembranças, entre fatos e possibilidades, temores e prazeres, vasculhando cada parte do meu ser, passado e presente.

Seus cabelos curtos, escorridos e sujos, cobriam metade da face, haviam manchas de sujeira escondendo sua pele alva, mas seu olhar era como pérolas negras, intenso, profundo. Por um momento, me questionei: “Será?

Então pego por uma agradável surpresa, ouvi uma voz sensível e doce ecoar por entre meus devaneios: “Baltazar“. Meu coração acelerou, finalmente eu havia a encontrado. Abracei-a forte, um abraço correspondido.

Temos que ir, agora“, sussurrou na minha mente.

Ela estava certa.

Grunhidos e um alvoroço se aproximavam. Observei os destroços do que um dia fora uma bela cidade, os prédios tomados pela natureza, um amontoado de carros, objetos e tudo o que se pode imaginar de uma cena pós apocalíptica: “Como nos filmes“, pensei. Todos estavam prontos para partir. Ajudei Valentina a subir na caminhonete, e embarquei. Partimos rapidamente, adentrando ao crepúsculo que trazia consigo sons de terror e o cheiro da morte, mas dessa vez, tínhamos a arma, e esses filhos da puta, bom, é melhor correrem.
Atravessamos seis quarterões, quando o último carro derrapou. Os rádios dos sete comboios ficaram fervorosos, sem saber exatamente o que acontecia em meio a escuridão. Senti as mãos da Valentina agarrarem no meu braço, enquanto as mensagens perguntavam curiosas e assustadas sobre o que havia acontecido. Logo, um estrondo nos surpreendeu, seguido do derrapar, um comboio tombou.

Como eles nos alcançaram?” – Gritou Oliveira pelo rádio.

Acelerem!” – Exclamei. Não estávamos longe do abrigo, mas se qualquer coisa nos tirasse do caminho, naquela altura da noite, todos estaríamos em risco.

Senti a velocidade subir rapidamente, fitei Valentina, ela sentada atrás, me soltou e se aninhou entre os bancos. Um aperto no coração me ocorreu, quando o piloto ao meu lado sussurrou: “Meu Deus“.

Olhei para frente, quando vi uma criatura voando em nossa direção. Ela se chocou contra o vidro que facilmente explodiu, meus olhos fecharam, meu corpo amorteceu por um breve momento e então capotamos…

 

 

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2 Comments

  • Reply hellz outubro 8, 2016 at 3:33 am

    EAEEEEEEEEEE *-*
    o senhor andou um tempão sumido, né? u.u que bom que retornou e lembrou de mim <3 HAHAH

    como sempre digo, você tem uma escrita foda! As descrições que usa pra compor as cena faz com que a gente realmente se sinta estando por lá!

    beeeeeeeijo
    beinghellz.com

  • Reply Tati outubro 9, 2016 at 7:10 pm

    EU AMO SEU JEITO DE ESCREVER
    Af <3

    Novembro Inconstante

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